Lassam – Capítulo 20: Superação

Publicado em 02/07/2017
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20. Superação

A nuvem de poeira levantada pela queda dos meteoros tinha sido afastada do local, graças às habilidades de um dos oficiais das Tropas Especiais, no entanto, ela não tinha desaparecido. Ao invés disso, ela permanecia ao redor deles, a não mais de 500 metros de distância, e aos poucos, voltava a se aproximar. Considerando a altura em que o pó e a fumaça tinham chegado, levaria bastante tempo para que todas as impurezas que flutuavam no ar se assentassem.

Tudo estava coberto por poeira e cinzas. As plantas, as casas – ou, pelo menos, o que tinha sobrado delas – e as pessoas.

Alvor balançou a mão, tentando se livrar de um pouco do pó, de forma a poder segurar adequadamente o arco e disparar a flecha. Seus esforços foram recompensados quando o último golem foi atingido, e batalha finalmente chegou ao fim. A “casca” de pedra se quebrou e caiu, libertando o corpo inconsciente da jovem que estava presa dentro dele.

O primeiro impulso do aspirante foi soltar um grito de vitória, mas a grande quantidade de poeira que ele tinha inalado, apesar da máscara, o fez se engasgar e ele teve que tossir algumas vezes até conseguir voltar a respirar normalmente.

Loren soltou um grito.

– Missão cumprida!

O restante da tropa respondeu com uma onda de exclamações não muito entusiasmadas.

Alvor removeu a máscara de tecido e limpou a boca com a mão.

– Bom trabalho, oficiais! Pessoal da unidade 1, comigo, o restante, atendam os feridos e levem as vítimas para o hospital.

– Depois de tudo isso, duvido que algum dos nossos cavalos ainda esteja por aí – disse Loren.

Alvor deu de ombros.

– Nesse caso, eles vão ter que improvisar.

Depois de delegar o comando do resto dos soldados para um dos subtenentes, Alvor olhou para a sargento.

– Onde eles estão?

– Ela está ao norte daqui, e ele ao sudeste.

Alvor fez um gesto na direção de um casal de oficiais.

– Vamos nos dividir, vocês dois vêm para o norte comigo.

– Muito bem, então nós iremos até o senhor Gretel – falou Loren, arremessando o coletor de emissões de Cariele para o aspirante. – Tente voltar inteiro, não esqueça que tem um trabalho nos esperando no Forte.

Alvor deu uma última olhada na cena de destruição diante dele, onde os soldados tratavam os feridos e tentavam consertar algumas carroças para transportar os jovens desacordados e os feridos.

– Neste momento, eu preferia que tivessem férias me esperando.

♦ ♦ ♦

Os trajes, a venda e a máscara que Cariele usava estavam cobertos de poeira. Vendo que, pelo menos por enquanto, poderia voltar a respirar normalmente, ela retirou a máscara e a sacudiu, guardando-a no bolso, enquanto inspirava profundamente uma lufada de ar fresco e o exalava, com um certo alívio.

A pastagem estava arruinada, e era bem provável que os animais que viviam ali estivessem na zona de impacto quando os meteoros caíram. Os agricultores teriam um prejuízo e tanto. Tudo o que tinha restado era aquele pequeno trecho de grama alta onde estavam, apesar do estrago que a queda de ambas tinha causado por ali.

A garota continuava na frente dela, sem forças para se levantar do chão, mas com energia suficiente para tentar provocá-la com um sorriso zombeteiro.

– Deixa eu ver se entendi – Cariele disse a ela. – Seu objetivo é dar um fim na sua própria vida, mas quer aproveitar para levar todo mundo aqui para o túmulo junto com você. É isso?

– Vida? – A outra deu uma risada curta, que se transformou num acesso de tosse. Depois de se recuperar, ela cuspiu no chão. – Como poderia encerrar algo que nunca tive?

Não passou despercebido a Cariele o fato de ter saído mais sangue do que saliva da boca dela.

– Podemos ajudar você. Delinger Gretel encontrou a resposta. Sabemos como curar a degeneração.

Na verdade, Cariele não estava muito certa se aquilo realmente era verdade, mas precisava fazer uma tentativa, não precisava?

A outra voltou a rir. E a tossir. E a cuspir mais sangue.

– Devo parabenizar vocês. Então, o bastardo não está morrendo?

Cariele não gostou na inflexão da voz dela ao pronunciar a palavra, fazendo com que soasse muito mais ofensiva.

– Não, ele não está. Mas já que não está interessada em salvar sua própria vida, por que não me diz, pelo menos, onde está o senhor Gretel?

– Em um lugar de onde não poderá mais voltar.

– E onde seria isso?

– Que tipo de benefício eu poderia colher se revelasse essa informação?

– Que tal uma morte rápida?

– Essa seria realmente uma grande dádiva, mas uma que sua raça não tem poder para conceder.

A infeliz não mostrava nenhum indício de estar com as faculdades mentais em ordem, provavelmente seria impossível negociar com ela. As habilidades de Daimar nesse departamento eram muito melhores do que as de Cariele, ele, talvez, até pudesse ter algum sucesso. Mas ela podia sentir, através do elo, que ele estava encarando um oponente bem mais perigoso. De certa forma, aquilo simplificava as coisas, pois Cariele podia resolver o assunto da forma com a qual ansiava há dias.

No entanto, ela sabia que baracais não eram fáceis de se matar, razão pela qual Delinger Gretel havia devorado seus oponentes. Aquele mero pensamento lhe gerou uma sensação de aversão tão grande que ela não conseguiu evitar que um tremor a percorresse.

Considerando os poderes e a resistência da garota, a conclusão óbvia é que não havia como derrotá-la com golpes físicos, e as energias místicas de Cariele estavam no fim. Tinha usado seu maior trunfo para derrubar a maldita do ar. Precisava encontrar uma maneira de encerrar aquele confronto de forma definitiva, e rápido.

– Como conseguiu conjurar aquilo? – Cariele mudou de assunto, apontando novamente para a nuvem de poeira e fumaça causada pelos meteoros, tentando ganhar algum tempo.

A outra tentou rir novamente, sem muito sucesso.

– Somos muito mais poderosos do que pode imaginar.

– Pois eu acho que quem é mais poderoso do que eu imaginava é o alquimista.

– Minha raça é suprema – disse a baracai enquanto se levantava, com grande dificuldade. – É impossível para vocês, humanos, compreenderem a grandiosidade do nosso poder.

– Não se faça de idiota. Se pudessem mesmo conjurar algo assim, já teriam feito isso há muito tempo.

Mostrando que não estava nem de longe tão ferida quanto fazia parecer, a garota levantou rapidamente a perna direita e pisou com força no chão, criando o mesmo efeito de onda de choque que Daimar era capaz de conjurar. Aquilo lançou terra e restos vegetais para todos os lados enquanto abria uma vala através da grama.

Tendo previsto aquele movimento, Cariele se esquivou facilmente do ataque e alcançou a outra com poucos passos, aplicando o golpe mais intenso que conseguiu, atingindo a oponente no abdômen de forma a projetá-la no ar, fazendo com que caísse a vários metros de distância.

♦ ♦ ♦

Daimar encarava o alquimista, que parecia hesitar.

– Você não disse que iria acabar com isso? Qual é o problema?

– Eu não quero matar você.

Aquilo podia ser considerado uma boa notícia, uma vez que Daimar não estava em boas condições para enfrentar uma batalha de vida ou morte, ainda mais contra alguém como Dafir Munim.

– E por que não?

– Porque… porque você é meu filho!

Aquele fato trazia uma sensação desconfortável. Aconteceu tanta coisa nesses últimos dias que Daimar ainda não tinha parado para realmente refletir sobre aquele assunto. Racionalmente falando, ser filho adotivo de Delinger Gretel não fazia diferença nenhuma, pois não mudava o fato de ter sido muito bem cuidado e educado, a ponto de ele ter se tornado a pessoa que era hoje. Mas, emocionalmente, era bastante complicado saber que sua vida tinha se originado a partir de uma… experiência de sua mãe com esse homem à sua frente.

– E o que isso importa para ela? – perguntou Daimar, amargo. – Afinal, você é só um bonequinho, não é? Um escravo que faz qualquer coisa que ela manda.

– Sana quer você morto. Mas eu, não.

Daimar se lembrou de Nilsen Ivar. Segundo os oficiais, o tenente também tinha resistido a uma ordem da baracai, e Cariele só estava viva hoje por causa daquilo.

– Então esse é o nome dela? “Sana”?

– Sim. Ouça, vamos fazer um trato. Peça para sua companheira parar de atacar.

– Em troca do quê?

– Eu deixo você viver.

Daimar se lembrava muito bem do primeiro e desastroso encontro que tivera com Dafir, quando o alquimista o tinha neutralizado facilmente com aqueles arpões místicos.

– Está me deixando confuso, não acabou de dizer que não quer me matar?

Uma lágrima caiu dos olhos marejados do alquimista e escorreu pelo rosto enrugado.

– Proteger a vida de Sana é a minha prioridade. Não posso permitir que ela sofra mais.

– Você está sendo controlado por ela, não percebe?

– Isso não importa!

Nesse momento, Dafir estremeceu e abraçou o próprio corpo, parecendo sentir dor.

– Não!

O homem olhou para Daimar e levantou a mão esquerda na direção dele, de forma ameaçadora.

– Faça com que ela pare!

– Fazer quem parar com o quê?

– Você não entende? Não sabe o quanto Sana sofreu na vida dela, o quanto foi abusada! Crescendo sozinha no meio de um povo tomado pela insanidade! Ela não merece ser punida por isso! Já teve mais do que sua cota de dor!

– Tudo o que eu sei é que ela é tão insana quanto o resto do povo dela.

– Ela é só uma criança! Uma criança infeliz e solitária! A doença está acabando com ela, sua vida virou um martírio sem fim! E sua companheira a está fazendo sentir ainda mais dor! Faça com que ela pare!

Daimar franziu o cenho.

– Espere! Como sabe disso? Você… pode sentir o que ela sente?

– Claro que sim! Nossa ligação é muito forte.

Agora Daimar arregalou os olhos.

– Formou um elo mental com ela?

– Naturalmente.

– Seu velho pervertido! Você está… você… você está namorando uma garota que não tem mais do que 15 anos de idade?!

Na verdade, Daimar não considerava aquilo tão importante assim, afinal, se alguém era pervertido ali, deveria ser a garota, já que era ela quem estava controlando a mente do alquimista. No entanto, tinha que tentar manter o homem falando. Pelo menos até que Cariele concluísse o trabalho dela.

– Você não entente! Ela é a coisa mais doce e mais maravilhosa que existe! Ela é forte, é determinada, é…

– Pela Fênix! Sinceramente, acho que prefiro morrer logo duma vez do que ficar ouvindo isso! É… nojento!

– Não é nada disso! É um amor fraternal. Você nunca teve um filho, não tem como entender.

– Tolice, eu sei que o elo mental baracai não funciona com “amor fraternal”. Além disso, você também não teria como entender nada, pois nunca teve um filho de verdade.

– Como, não? Você é meu filho!

– Não sou, não. Meu pai é Delinger Gretel. Foi ele quem cuidou de mim durante todos esses anos, não você. Foi ele quem esteve comigo, me guiando e me moldando para me tornar o que sou hoje.

– Isso não quer dizer que eu não me importe com você!

– Já que se importa tanto comigo, então me diga onde está meu pai.

– Delinger já deve estar morto há tempos. Está preso em Vindauga, ele e aquela amante dele. Um fim merecido aos dois, inclusive, depois de macularem a memória de Norel!

– Vindauga? Que lugar é esse?

– Um mundo onde o tempo corre de maneira irregular. Sana deixou Delinger preso lá dentro quando o passar das horas estava começando a se acelerar. É possível que já tenham passado vários meses, talvez até mesmo anos lá dentro.

– E como eu faço para entrar lá?

– Não há o que você fazer lá. Delinger e o outro baracai já devem ter matado um ao outro há muito tempo.

– Veremos. Quais são as coordenadas do lugar?

– Você está fazendo perguntas demais!

De repente, Dafir curvou o corpo de leve, levando a mão ao ventre e soltando um gemido abafado de dor. Daimar concluiu que Cariele, no mínimo, devia ter acertado um daqueles ganchos de direita característicos dela. Tentou manter uma expressão impassível enquanto falava:

– Quer que isso pare? É só responder às minhas perguntas.

O alquimista voltou a levantar a mão.

– É assim que vai ser? Pois eu também posso jogar esse jogo.

Daimar gritou quando diversos arpões metálicos surgiram de repente, transpassados em seu corpo. Assim como da outra vez, ele sentiu suas energias sendo drenadas e caiu de costas, lutando desesperadamente para permanecer consciente.

– Quando sentir a sua dor, ela vai parar – disse Dafir, com uma expressão de extremo desgosto no rosto, enquanto as lágrimas escorriam, abundantes. – Vai ter que parar!

Ele parecia tentar, desesperadamente, convencer a si mesmo daquilo.

♦ ♦ ♦

Alvor Sigournei fez sinal para os outros dois oficiais pararem.

Cariele Asmund acabava de lançar a baracai para longe, com um poderoso soco, que provavelmente teria sido capaz de fazer uma pessoa desprotegida em pedaços. Sua oponente, no entanto, se levantou quase imediatamente, com uma postura desafiadora.

– Devemos atacar, aspirante?

– Não, vamos aguardar um pouco.

Alvor pegou uma flecha da aljava e encostou nela um pequeno simulacro de formato esférico que tirou do bolso. O artefato imediatamente se fundiu à flecha, desaparecendo.

– Preparem tudo o que puderem. Se precisarmos intervir, teremos que ser decisivos.

– Acha que podemos com aquela coisa?

Alvor pegou seu arco e o avaliou com cuidado, enquanto tentava controlar a própria apreensão.

– Não sei quanto a vocês, mas eu tenho um compromisso inadiável com uma loira sensacional em Talas. E não é uma pirralha qualquer que vai me impedir de comparecer.

Enquanto isso, Cariele usava os sentidos especiais para avaliar as condições físicas da baracai. O corpo da garota tinha um aspecto horrível, mas ela se recuperava dos ataques que recebia em um tempo inacreditável. Era como se seu corpo estivesse sacrificando partes de si mesmo para mantê-la em pé e lutando. E ela não parecia ter controle nenhum sobre aquilo, a tal “maldição baracai” realmente levava o indivíduo a um fim terrível.

– Seu nome é Sana, não é? Olhe para o seu corpo, está ficando cada vez pior.

– Ótimo.

– Podemos ajudar você, não somos seus inimigos! Se continuar atacando desse jeito, sua condição só vai piorar!

– Não quero ajuda! Eu só quero acabar logo com isso!

Cariele chegou a abrir a boca para responder, mas nesse instante, sentiu um tremor violento percorrer seu corpo, e soube que o alquimista finalmente tinha iniciado seu ataque a Daimar. Não havia mais tempo para conversas e nem para hesitação. Tinha que acabar com aquilo. Agora.

Sana aproveitou o instante de distração da oponente e assumiu novamente sua forma de dragão. No entanto, a condição do corpo reptiliano dela parecia ainda pior que a da forma humana. Manchas escuras a cobriam quase toda e boa parte da pele estava exposta, como se as escamas tivessem caído. E as asas, simplesmente, não estavam mais lá.

Como se quisesse mostrar o quão poderoso era, o dragão inspirou fundo e abriu a enorme boca disparando um terrível jato de chamas.

Cariele levantou o braço, invocando o vácuo que imediatamente a lançou para cima, enquanto o que restava da grama era imediatamente carbonizado pelo terrível ataque. Ela sabia que sopro de dragão não era um tipo de conjuração exatamente fácil de ser executado, nem mesmo por baracais. Pelo que ouvira dos oficiais, Delinger e os outros da tribo dele preferiam usar bolas de fogo ou relâmpagos, que tinham um poder destrutivo muito menor, mas que podiam ser usados várias vezes por dia, dependendo do nível de afinidade.

O dragão levantou a cabeça, o mortal jato de fogo continuando a se projetar de sua boca enquanto ele tentava atingir Cariele. Então ela finalmente compreendeu como poderia acabar com aquilo. Ela tinha certeza de que iria se arrepender amargamente depois, mas tratou de bloquear da mente o horror e a apreensão que a súbita ideia que lhe veio à mente causou. Haveria tempo para autorrecriminações mais tarde.

– Avançar! – Alvor ordenou, quando percebeu que o sopro de dragão iria atingir Cariele em cheio. Os três oficiais saíram em disparada na direção do dragão, preparando-se para entrar numa batalha impossível.

Cariele viu o fogo vindo em sua direção e encolheu o corpo, abraçando os joelhos enquanto invocava uma última lufada de vento que a empurrou para baixo, diretamente ao encontro das chamas.

– Parem! – Alvor gritou novamente, poucos segundos depois, ao perceber que o sopro de dragão tinha sido interrompido e que o enorme corpo reptiliano da baracai se convulsionava de forma estranha.

– O que houve?

– Ela jogou algo na boca dele?

– Eu acho que ela se jogou dentro da boca dele – respondeu Alvor, arregalando os olhos quando viu o pescoço e o corpo da criatura começarem a brilhar, enquanto as convulsões se intensificavam. – Essa não! Recuar! Recuar!

Os três oficiais se viraram e correram alguns metros, se jogando no chão quando ouviram o barulho da explosão.

♦ ♦ ♦

Daimar não estava, exatamente, despreparado para o ataque “antibaracai” do alquimista. Ele conversara com Cariele sobre aquilo e tinha uma ideia geral de como aquele dreno de energia funcionava. Mas a diferença entre a teoria e a prática, naquele caso, era muito grande. Foi necessário um extremo esforço para conseguir direcionar seu fluxo energético de forma a impedir que os arpões o exaurissem totalmente. E não levou muito tempo para o alquimista perceber o que ele estava fazendo.

– Você está resistindo! Como pode estar resistindo?!

Perplexo por Daimar não ter sucumbido imediatamente à técnica que vinha aperfeiçoando há mais de 20 anos, Dafir levantou o outro punho, o que fez com que uma infinidade de outros arpões surgisse, antes de lançar uma descarga elétrica para ativá-los.

Era demais! A força combinada dos arpões agora era dez vezes maior. Daimar sentia-se como se estivesse sendo empurrado para um precipício, sem ter absolutamente nada em que pudesse se segurar.

Loren e os outros oficiais chegaram ao local a tempo de ouvir o grito abafado de Daimar, que estava caído no chão com dezenas de objetos finos e compridos de metal enfiados em todas as partes do corpo. Não havia sangue, o que mostrava que aquilo não era um ataque físico, mas de qualquer forma, o rapaz tremia como se estivesse agonizando.

O alquimista estava diante dele, apertando os punhos no ar. No entanto, o velho não parecia estar nada satisfeito com o que estava fazendo.

Loren sacou dois punhais e preparava-se para arremessá-los quando o homem, de repente, perdeu a concentração e soltou um grito, levando as mãos à cabeça.

– Nããão!

O pânico começava a tomar conta de Daimar, quando de repente, ele percebeu que a força que o “empurrava” começava a oscilar, como se tivesse perdido o foco. Ele imediatamente reagiu, usando toda a energia que lhe restava para tentar defletir aquela força para uma outra direção.

Os oficiais deram alguns passos para trás ao verem o corpo de Daimar subitamente começar a brilhar, aumentar de tamanho e mudar de forma. O processo de transformação foi bem mais lento do que os que eles já tinham presenciado antes, mas logo ele se completou, o brilho desaparecendo e a forma do dragão azul se tornando clara. Os arpões de metal, no entanto, continuavam presos ao corpo dele.

O alquimista se assustou com aquilo e deu alguns passos para trás, mas acabou tropeçando e caindo de costas.

O dragão levantou a cabeça e soltou um horrível rugido, antes de sua imagem começar a ficar borrada e se desvanecer no ar, como se nunca tivesse existido. Então Daimar, de volta à sua “quarta forma”, levantou-se, os arpões metálicos caindo no chão ao redor dele e em seguida desaparecendo.

Desajeitadamente, o alquimista também se colocou de pé.

– Acabou, Dafir – declarou Daimar. – Ela se foi!

– Não! Você não a conhece! Ela não pode ser derrotada tão fácil assim!

– E você não conhece Cariele Asmund. Por que ainda insiste nisso? O efeito da sugestão que ela usou em você deveria estar se dissipando.

– Não! Isso não vai acabar assim.

O alquimista começou a levantar a mão novamente na direção de Daimar, mas a reação do rapaz, dessa vez, foi mais rápida. Ele levantou o pé e pisou no chão com força, invocando uma onda de choque na direção de Dafir, que foi obrigado a interromper o que ia fazer para criar um escudo místico. A onda de choque o atingiu em cheio, mas acabou sendo defletida para os lados.

Daimar então correu na direção dele enquanto usava o encanto de aumento de força em si mesmo. Quase não lhe restavam forças, estava com dificuldade até mesmo para se manter em pé, quanto mais para correr, mas não podia dar tempo para que o outro se recuperasse.

Ele não tinha muito conhecimento sobre escudos místicos, mas graças às inúmeras brigas em que se meteu durante a adolescência, ele sabia reconhecer muito bem a aura de um contragolpe balanceado, um encanto capaz de voltar a força de um atacante contra ele mesmo. Aquela habilidade era capaz de virar qualquer briga, por isso, quase todos os membros da gangue dele acabaram sendo obrigados a desenvolver a técnica, bem como o único golpe capaz de neutralizar seu efeito, que a molecada da época chamava de punho de martelo.

Esse golpe consumia energia e era mais fraco que diversos outros que ele conhecia, mas a vantagem é que liberava a força de ataque de uma forma não focada, de maneira que ela não podia ser redirecionada. Aquela tinha sido a técnica que o fizera se destacar dos outros na época, pois ninguém conseguia usar o punho de martelo tão bem quanto ele.

Fazia muitos anos que ele não usava aquele golpe, mas tinha treinado aquilo tanto e por tanto tempo, que acabou usando a técnica por instinto.

O escudo de energia transparente recebeu o impacto, e ondulações surgiram em sua superfície, como uma pedra atirada num lago. Sem dar tempo para Dafir reagir, ele atacou novamente, com o outro punho. Lembrando-se de que Cariele conseguira derrotar o alquimista de forma similar no primeiro encontro deles, ele decidiu investir tudo o que tinha, ou melhor, o que lhe restava, naquela sequência de ataques.

O barulho dos golpes contra o escudo era como o de um aríete tentando derrubar o portão de uma fortaleza.

Daimar tinha percebido a presença dos oficiais, que observavam o embate a uma distância segura, mas sentia que aquela luta era de sua responsabilidade. Ele nunca tinha arregado de uma boa briga antes, e não começaria agora.

Foram necessários muitos golpes, mas o primeiro escudo do alquimista finalmente se dissipou. Dafir chegou a conjurar um outro, mas ele devia estar abalado demais, e o novo escudo acabou saindo sem o efeito de contragolpe. Com isso, Daimar pôde deixar o punho de martelo de lado e atacar com força total.

O segundo escudo acabou se dissipando muito mais rápido que o primeiro e, sem dar chance de nova reação ao alquimista, Daimar o agarrou pelo pescoço e o levantou do chão, apertando-lhe a traqueia até que o homem perdesse os sentidos.

♦ ♦ ♦

Alvor sorriu, aliviado, quando viu Cariele Asmund se levantar, aparentemente ilesa, do pequeno buraco que havia se formado no lugar onde estivera o dragão momentos antes. Começou a caminhar na direção dela, mas parou imediatamente ao vê-la levantar um dos braços, no gesto militar que significava “pare” ou “mantenha distância”.

Ele franziu o cenho, mas esperou onde estava, junto com os outros oficiais, enquanto ela caminhava na direção deles com visível dificuldade, desviando-se dos restos mortais da baracai, que estavam espalhados por toda parte.

Por causa da venda que ainda usava, não dava para ver direito a expressão do rosto de Cariele, mas estava claro que tinha os dentes cerrados e sentia bastante desconforto, apesar de não haver nenhum ferimento externo evidente. Nem mesmo as roupas dela pareciam ter sofrido qualquer dano, nem pelo fogo e nem por ter sido engolida viva.

Alvor chegou a abrir a boca para fazer uma pergunta quando ela estava a apenas alguns poucos passos de distância, mas se interrompeu quando ela se virou bruscamente e levantou um punho, como se estivesse dando um gancho de esquerda no ar. Uma pequena nuvem esverdeada se formou no ar à frente dela e a poucos metros do chão. Quando a nuvem estava grande o suficiente para cobrir toda a área onde estavam espalhados os restos do cadáver, ela abriu a mão e uma chuva fina começou a cair da nuvem, atingindo o chão e levantando uma fumaça esbranquiçada, enquanto tudo o que estava sobre o solo começava lentamente a se dissolver.

Em menos de um minuto, o solo de uma enorme área tinha se transformado em uma espécie de gosma escura, que exalava um cheiro muito forte e bastante desagradável. Então Cariele fechou a mão e abaixou o braço, o que fez com que a chuva parasse e a nuvem se dissolvesse.

Ela então, de maneira desajeitada, se debruçou e devolveu todo o conteúdo do estômago.

– É melhor tirarmos ela daqui – disse Alvor, quando o mal-estar dela pareceu dar uma trégua. Imediatamente os outros dois oficiais se adiantaram e ajudaram Cariele a se levantar, e, devido à fraqueza que tinha se abatido sobre ela, tiveram que quase carregá-la.

Alvor deu uma última olhada na área devastada pela chuva ácida, onde não restava nada além de uma massa escura e homogênea, que começava a se solidificar. Ele baixou a cabeça por um instante, num gesto comumente usado em respeito aos mortos, antes de virar-se e seguir os outros.

♦ ♦ ♦

Na tarde do dia seguinte, os oficias das Tropas Especiais estavam reunidos num bar, segurando canecas de cerveja e conversando, descontraídos, entre brincadeiras e risos.

Um deles imitava a voz de Alvor.

– Vamos atacar? Não, esperem! Agora! Avançar! Não! Parem! Recuar!

A imitação quase perfeita e o inusitado da situação que ele descrevia arrancou gargalhadas de todos.

– Eu sei como você se sente – disse Loren, dando tapinhas amigáveis no ombro do aspirante, que ria, divertido, nem um pouco ofendido com a zoeira. – Nunca me senti tão supérflua. No momento em que eu achei que teria a chance de fazer alguma coisa útil, baixa um espírito no rapaz e ele sai dando soco para tudo quanto é lado.

– Ah, fala a verdade. Você estava era atordoada depois de ter tomado tanta pedrada na cabeça – comentou um outro oficial, apontando para as bandagens que cobriam a testa dela, fazendo com que todos voltassem a rir.

Nesse momento, um soldado entrou no bar e se aproximou de Alvor, prestando continência respeitosamente. Tratava-se de um dos membros da unidade de Lassam, que havia participado da batalha junto com eles.

– À vontade, garoto – disse Alvor, ainda rindo. – Sente-se e tome uma cerveja com a gente.

– Não, senhor, quero dizer, não posso, só vim avisar que a nova tenente está aí fora, querendo falar com o senhor.

– Finalmente! – Alvor se virou para Loren, satisfeito. – Parece que vamos ser liberados.

– Não vejo a hora.

Um dos oficiais gritou:

– Um viva para a liberdade do aspirante!

O restante deles soltou um coro de “vivas”.

Alvor entregou sua caneca para o soldado.

– Sente-se aqui e assuma meu posto, rapaz.

– Mas… eu estou de serviço…

– Não está mais. Relaxe e divirta-se um pouco. Acho que você é o único de nós que ainda está trabalhando.

– Sim, senhor! Obrigado, senhor!

Alvor saiu do estabelecimento e avistou uma mulher de aparência imponente conversando com dois soldados. Era muito alta e entroncada, o uniforme provavelmente tinha sido feito sob medida. Usava os cabelos curtos e parecia muito à vontade enquanto dava algumas ordens, antes de dispensar os subordinados. Então ela se virou para ele.

– Aspirante Sigournei, eu presumo?

Ela tinha uma voz tão impressionante quanto o restante dela. Devia estar na casa dos 30 anos. O rosto apresentava algumas cicatrizes e o nariz era ligeiramente torto, provavelmente já tinha sido quebrado algumas vezes. Os olhos eram de um castanho bem escuro.

– Sim, senhora – respondeu Alvor, prestando continência.

– À vontade. Meu nome é Ronia Sissel. Estou assumindo o comando das unidades de Lassam a partir de agora.

Ele sorriu.

– Fico feliz em ouvir isso, tenente.

– Ouvi dizer que fez um ótimo trabalho aqui, aspirante.

– Também ouvi algumas coisas assim, mas tudo o que eu fiz foi dar apoio para que os residentes resolvessem seus próprios problemas.

A tenente assentiu.

– Qual é a situação das pessoas resgatadas ontem?

– Ao todo, trouxemos 32 vítimas, entre estudantes, agricultores, comerciantes e outras, que imaginamos que tenham sido capturados por estarem no lugar errado na hora errada. Oito deles tinham tido o sangue completamente drenado, os demais tinham sido espancados brutalmente. Todos receberam um encanto necromântico quando estavam às portas da morte, que permitiu que fossem controlados como se fossem golens. Os curandeiros conseguiram reverter o quadro da maioria deles, mas tivemos seis fatalidades. Dos sobreviventes, temos sete em estado grave e o restante já está estabilizado. Alguns poderão voltar para casa ainda esta semana.

– Então foram sete fatalidades, se contarmos com a criminosa.

– Sim, senhora.

– Já foi feita uma análise dos restos mortais dela?

– Sim, senhora – repetiu ele. – Tudo o que restou no lugar é uma grande laje rochosa, formada pela solidificação do solo junto com tudo o que foi dissolvido e misturado a ele. Não há nenhum sinal de vida.

– Não costumo desejar o mal a outras pessoas, mas nesse caso, fico contente em saber que essa criatura tenha sido exterminada.

Alvor voltou a sorrir.

– Nisso eu tenho que concordar com a senhora.

– E quanto ao casal?

– Compreensivelmente, estão exaustos. Creio que vá levar várias semanas para eles se recuperarem fisicamente. Já o emocional, pode levar um pouco mais.

– É verdade que o senhor testemunhou a moça sobrevivendo a um sopro de dragão?

– Sim. Cheguei a conversar com ela sobre isso, no hospital. Ela me disse que um sopro de dragão é mortal apenas quando a diferença de afinidade entre o conjurador e a vítima é muito grande. Se o ataque tivesse vindo de um dragão real, ela teria virado cinzas, mas um baracai, mesmo em outra forma, tem níveis de afinidade iguais ao de um humano normal. E, bem, entre humanos, é difícil encontrar alguém que supere a afinidade de Cariele Asmund.

– Como ela conseguiu sobreviver ao ataque e ainda mandar a criatura pelos ares?

– Ela disse que usou uma técnica de contragolpe baseada em escudo corporal. Absorveu toda a energia que foi lançada contra ela e a liberou de uma vez só no interior do monstro.

A tenente cruzou os braços.

– A região foi devastada. A criminosa pode não ter sido um “dragão real”, mas tinha um poder de destruição e tanto.

– Ah, aquilo foi obra do alquimista. No interrogatório ele revelou que passou mais de 20 anos se dedicando a criar técnicas para derrotar baracais. De alguma forma ele teve acesso a estudos relacionados à invocação da tal chuva de meteoros e investiu tudo o que tinha para criar os materiais necessários para gerar o efeito.

– Típico. Desenvolve-se uma arma para combater um inimigo e no final o inimigo acaba se apossando da arma e a usa como bem entende.

– Isso mesmo.

– E o resultado é que temos um monte de agricultores que perderam suas plantações, seus animais e suas casas. – A tenente suspirou. – De qualquer forma, é necessário um nível de afinidade bastante grande para conseguir completar uma conjuração daquelas, não é?

– Imagino que sim. Tivemos sorte que Cariele Asmund também andou estudando a conjuração e, com a ajuda do parceiro, defletiu a maior parte dos meteoros.

A tenente franziu o cenho.

– E ela disse por quê andou estudando uma coisa dessas?

– Segundo ela, estava avaliando “caminhos que nunca deveria tomar”. Pelo que eu entendi ela estudou diversos encantos perigosos, com a intenção de não conjurar nenhum deles sem querer, ou algo assim.

Agora a tenente arregalou os olhos.

– Ela é capaz de conjurar uma chuva de meteoros?

– Não sei se a senhora leu a ficha dela, mas pelo pouco que eu entendi, fiquei com a impressão de que os poderes dela tinham muito poucos limites na época em que ela serviu o exército. Hoje em dia, no entanto, não pode mais usar a maior parte deles por causa da doença.

– Sei. E quanto ao alquimista?

– Está na masmorra. Continua agindo como se estivesse apaixonado pela criminosa e se recusa a acreditar que ela esteja morta. Nos acusa de termos maltratado e aprisionado uma criança indefesa e confusa que nunca conheceu nada além de dor e sofrimento durante toda a sua vida, e exige que nós a devolvamos a ele.

– “Indefesa”?

– Palavras dele.

– Ele continua sob o efeito da sugestão?

– Não conseguimos confirmar isso ainda. Tudo indica que sim, mas com a garota morta, o encanto já deveria ter sido quebrado.

– Conseguiu mais alguma informação com ele?

– Sim, ele nos deu alguns números em relação à provável localização do mundo que os baracais chamavam de Vindauga. Acreditamos que a tenente Cristalin Oglave esteja presa lá, junto com o pai do senhor Gretel. Estamos nos preparando para fazer uma incursão, assim que o sábio Edizar Olger conseguir nos abrir um portal.

– Entendido. Tenho que concordar com o major, aspirante, o senhor parece ter realmente cuidado de todos os detalhes por aqui. Ele, particularmente, elogiou sua estratégia de ganhar a confiança da senhora Asmund e do senhor Gretel.

– Eu apenas tratei eles como se fossem pessoas normais. Que é exatamente o que eles são, inclusive, então não há nada de excepcional nisso.

– Muitos não pensam assim. Nosso capitão é um deles.

Alvor torceu os lábios.

– Imagino que todos tenham o direito de ter suas próprias convicções, mesmo eu não concordando com elas.

Ronia assentiu.

– Recebi ordens para manter a sua estratégia e continuar trabalhando com eles na base da confiança mútua.

– Agora que essa confusão toda finalmente acabou, duvido que algum dos dois venha a causar problemas. Mas, de qualquer forma, se quiser ficar de olho neles, tenho uma sugestão.

♦ ♦ ♦

Sacerdotes, monges e paladinos costumavam dizer que nunca estavam sozinhos, pois a Graça estava com eles o tempo todo.

Cristalin nunca se considerou uma pessoa muito espiritual, e crescera numa família que seguia os preceitos da Grande Fênix, que não permitia cultos nem templos. Orações para a Fênix podiam ser feitas, mas tinham que ser algo particular, pessoal. E as bênçãos recebidas geralmente eram subjetivas, muitas vezes impossíveis de identificar.

Com o Espírito da Terra as coisas eram diferentes. Eram necessários grandes eventos, cerimônias, louvores. E pedidos de coisas materiais às vezes eram atendidos, se o fiel fosse digno. As pessoas que participavam daquele culto sempre pareceram a Cristalin mais felizes, mais harmoniosas, bem menos propensas a momentos de solidão, tristeza ou depressão.

Naquele momento, ela desejou fazer parte daquela religião. Talvez assim não estivesse se sentindo tão desanimada e sem forças. Olhou novamente para o pequeno livro onde vinha fazendo anotações com carvão desde que viera para Vindauga. Quanto tempo já tinha se passado? Sete meses? Ou seriam oito? Havia vários lapsos de tempo entre uma anotação e outra, causados pelas constantes batalhas que tivera que travar; pelos ferimentos que sofrera e que às vezes levara semanas para se recuperar; pelo mal-estar causado pela alimentação inadequada, que a deixara anêmica; e pelo absurdo cansaço e dores musculares, agravados pelas longas e muitas vezes infrutíferas caminhadas em busca de abrigo.

Ela descobrira porque os nativos tinham aquela mania de ficar fazendo barulho o tempo todo. Aquilo servia para manter à distância perigos bem maiores.

Predadores. Existiam inúmeros deles por ali, de variadas espécies e hábitos.

Ao menos aquilo lhe rendera algumas boas peças de roupa, já que o couro de alguns deles era bem resistente e mais do que adequado para manter afastado o perigo de hipotermia durante as gélidas noites.

Não falta muito mais – disse a voz telepática de Delinger Gretel.

Não temos como saber. A carga desse artefato acontece de forma muito errática. Posso muito bem ficar mais uns cinco meses sem perceber nenhum progresso.

Quanto pessimismo. Ele carregou mais da metade em menos de um mês.

E não carregou absolutamente nada nos três seguintes.

Talvez as leituras que esteja fazendo não sejam precisas o suficiente.

Ei! Eu sei fazer isso, está bem?

Desculpe. Mas é uma possibilidade, não? Que a realidade distorcida deste lugar esteja afetando, de alguma forma, as suas habilidades?

E talvez eu esteja simplesmente cansada demais.

Isso também.

Mas não gosto quando você duvida de mim.

Eu nunca duvidei de você.

Às vezes, não tenho tanta certeza.

Eu confiei minha vida a você. Dividi meus segredos, meus sonhos… permiti que você ocupasse um lugar que ninguém mais tinha ocupado depois que perdi minha esposa. Eu te amei. Até mesmo me recusei a morrer para ficar te fazendo companhia. O que mais você quer de mim?

Eu quero você aqui comigo! Quero ver você, ouvir sua voz, sentir seu cheiro, sua pele, seu gosto…

Então ela levou as mãos ao rosto e caiu num choro compulsivo. Delinger permaneceu em silêncio, pois simplesmente não havia o que dizer.

— Fim do capítulo 20 —
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